Sob as bênçãos de São Pedro, o Cacique de Ramos encerra o ciclo junino com Roda de Samba

Sob as bênçãos de São Pedro, o Cacique de Ramos encerra o ciclo junino com Roda de Samba

Ale Maria, Henrique Fubbá e Margarete Mendes se apresentaram com o grupo Caciqueando

Domingo, 28, véspera do Dia de São Pedro e fechamento do ciclo junino, entregou um conjunto de atividades que foram executadas à luz da maturidade deste movimento, que, com o passar dos anos, se reflete cada vez mais através do samba autêntico e suas nuances. Uma das vantagens desta longevidade é a força atribuída a este gênero musical pelas inúmeras referências nascidas no Doce Refúgio.

Dentre as principais tradições, a Roda de Samba se destaca e, neste dia, mostrou ainda mais sintonia. O grupo Caciqueando recebeu o público com espontaneidade e carisma, mas, sobretudo, com extrema competência, e conduziu a apresentação da Corte Glória Caciqueana em uma cadência harmônica especial.

A presença dos integrantes da Corte reacende a chama carnavalesca que mantém aquecida a folia do bloco o ano inteiro. A cada domingo, três nobres representantes do segmento mostram os fundamentos da dança do samba. Neste dia, a beleza e a malemolência da primeira princesa Bella Carrulo e da musa Laryssa Maia encantaram o evento. Elas foram acompanhadas pelo Índio Caciqueano Bruno Barão, que vai além da narrativa do bailado dos passistas, segmento do qual ele também faz parte na Unidos de Vila Isabel, mas, aqui, carrega em sua postura a exclusiva insígnia de seu cargo.

Sob o batuque, as Alas Reunidas, integradas ao público, dançaram e cantaram. Na área reservada, estiveram artistas e personalidades, como Dudu, diretor na Estação Primeira de Mangueira, que aproveitou a ocasião para apresentar o Cacique de Ramos à carnavalesca e ao enredista da pioneira Vizinha Faladeira.

A ilustre presença da cantora argentina Ale Maria não foi mera visita. A artista prepara uma temporada em que estará com o Caciqueando fora dos muros do Doce Refúgio, e a ocasião serviu para apontar a conexão da cantora com os músicos da casa.

A sequência de Ale começou com “Samba da Minha Terra”, eletrizando a Roda de Samba. O fechamento de sua apresentação teve “A Voz do Morro”. Esse intercâmbio cultural consagrou o sentido da roda, em que todos podem e devem mostrar seus talentos e embevecer a plateia com arte.

Virando a página para mais um convidado, chegou a vez de Henrique Fubbá, que iniciou com uma canção marcada pela emoção, nostalgia e reflexão sobre o amor, “Ah! Como Eu Amei”, clássico na voz de Benito di Paula, lançado em 1981. O repertório seguiu em interpretação impecável, com base em obras de Cartola a Jorge Aragão.

O intervalo foi o espaço para a Festa dos Aniversariantes do Mês, que homenageou o diretor Serginho, Xula, mestre da bateria Tamarindo de Ouro, e o diretor Yan, neto de Bira Presidente, filho de Karla Marcely, atual dirigente do Cacique. A confraternização no Espaço que leva o nome do eterno líder reuniu a Diretoria de Ouro, que registrou o momento celebrativo ao lado de Yan e ainda saboreou as delícias do buffet Sabores da Kel.

No palco, por sua vez, o Caciqueando ganhou a companhia de Margarete Mendes, pertencente à instituição, tal como o grupo. Ela pediu licença, firmou o ponto e iluminou o evento. Plena, dominou a cena com toda a sua intensidade. Fez a gira girar. Soprou emoção no ar e deixou sua especialidade fluir com uma seleção primorosa de músicas, entre as quais o “Canto das Três Raças”, uma das canções mais emblemáticas do samba. A composição é de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte. Um dos grandes sucessos interpretados pela saudosa Clara Nunes, a canção, entoada por Margarete, impactou o Cacique por inteiro.

A Roda de Samba é sobre ouvir, cantar, abrigar e expandir. É perceber a sensibilidade dos versos, as mensagens nas palavras das poesias cantadas, escritas, geradas e transmitidas por vozes que se somam aos toques ancestrais, malandreados e romanceados do samba. Mesmo em tempo junino, no Cacique, ele ainda é o protagonista.

“Meus versos, guardei na gaveta da minha memória…”
(Terno Branco – Gisa Nogueira, na voz de João Nogueira)