O evento teve Grupo Caciqueando, Corte Glória Caciqueana, participação de Dilson Oliveira e Margarete Mendes em clima de Copa
O domingo, 07 de junho, começou marcado pela fé no Cacique de Ramos, com a recepção à imagem peregrina de Santo Antônio, e terminou em clima de samba no Doce Refúgio. À noite, a tradicional Roda de Samba abriu caminho para uma sequência de apresentações, encontros afetivos e momentos de emoção no palco do bloco.
Como acontece todos os domingos, o Grupo Caciqueando abriu a roda e preparou o público para a programação da noite. Em seguida, Rafaela Vaz fez sua primeira apresentação no palco do Cacique de Ramos e foi uma grata surpresa para a roda e para o público. Cantora de MPB, com destaque no samba, soul e R&B, a artista paulista levou ao palco uma interpretação segura, marcada por musicalidade, presença e respeito ao lugar que a recebia.
Rafaela iniciou a carreira ainda na adolescência, já passou por palcos de TV, foi intérprete da Escola de Samba Ases do Ritmo, lançou o EP “Creoula” e abriu shows para nomes como Leci Brandão e Criolo. Apadrinhada por Marquinhos Sensação, a cantora demonstrou orgulho ao pisar no palco do Cacique, espaço que almejava desde o início da carreira pela importância do bloco na história do samba.
A Corte Glória Caciqueana também abrilhantou a noite, como parte da dinâmica dominical da roda. Neste domingo, a representação ficou por conta da rainha do carnaval do bloco, Eliza Cruz; da primeira princesa, Bella Carrulo; da rainha de bateria, Cassia Anastácia; e da musa Laryssa Maia.
Depois da participação da corte, o Grupo Caciqueando comandou da roda em uma apresentação mais solta, com direito a solos e maior proximidade com o público. Um dos pontos de maior emoção veio com Tiago, integrante do grupo, que cantou ao lado da filha no palco no dia de seu aniversário, comovendo os presentes. O locutor da casa, Dilson Oliveira, também soltou a voz e ganhou a resposta calorosa da quadra.
No encerramento das atuações especiais, foi a vez de Margarete Mendes, a Negona do Axé. Vestida nas cores da seleção brasileira de futebol, em ritmo de Copa, a artista arrebatou o público com uma apresentação de muitas nuances, alternando força, carisma, domínio de palco e afeto com a família caciqueana.
Com a Diretoria de Ouro firme e a postos, a roda seguiu no compasso de quem reverencia e é referência deste terreiro. Como traduz Luiz Carlos da Vila em “Doce Refúgio”, há quem encontre ali, no Cacique, a embriaguez de poesia, cultura e magia, ou mesmo a religião; é a mística do samba alcançando o coração. E foi nesse sentimento que a noite terminou: com a quadra entregue ao samba e o samba imortalizando sua própria história.
Nayra CezariASCOM Cacique de Ramos