Feijoada, premiação reverenciada e casa cheia no 19 de abril do Cacique de Ramos

Feijoada, premiação reverenciada e casa cheia no 19 de abril do Cacique de Ramos

Mais uma tarde de outono, com sol de verão e uma feijoada deliciosa, reuniu, no Doce Refúgio, uma legião de fãs do bloco neste domingo, Dia dos Povos Indígenas, 19 de abril. Caravaneiros da Bahia, de São Paulo, de Minas Gerais e cariocas aproveitaram as apresentações dos convidados, que iniciaram a roda de samba, dando ainda mais sabor ao tempero caciqueano.

Com os Amigos do Samba da Vila Carolina em cena, os frequentadores da casa fundada pelo saudoso Bira Presidente puderam conferir a qualidade do grupo, que retornou ao Cacique especialmente nesta edição.

Na primeira metade do evento, a transição de palco reservou ao público um momento de interação, relembrando os desfiles do bloco, com a entrada dos integrantes da Ala Eu Sou Cacique, em festa pelo primeiro ano de fundação, seguida da apresentação do grupo Mania Suburbana. Músicos experientes nas rodas de rua, que trouxeram, para esta participação no Cacique, um repertório dançante, de alto astral.

Daí, na passagem de bastão para o grupo Caciqueando, a Diretoria de Ouro reverenciou a homenagem recebida, em Florianópolis, pelo baluarte Sidney Machado, Chopp. O vice-presidente Marcio Nascimento protagonizou a reprodução da entrega do prêmio Carlos Magno, oferecido ao veterano sambista no Sul do país. A solenidade original aconteceu no sábado, 11, no Lira Tênis Clube, em Florianópolis, e marcou a 3ª edição da premiação, que reconhece personalidades e artistas do carnaval.

Após a confraternização, mais emoção e doçura com a apresentação da nova composição da Corte Curumim. Renatinha Duarte, de seis anos; Ísis Alves, de sete, juntaram-se a Antonella Freitas, de nove anos, e Manuela Espala. A formação, a partir de agora, conta com essas quatro crianças prodígios da dança do samba. Elas encantaram o evento sob a batuta de Monica Rocha.

Ao se despedirem do público, deram lugar ao carisma da porta-estandarte Joana Darc, que bailou graciosamente, portando o pavilhão do bloco e saudando especialmente as Alas Reunidas.

O espetáculo institucional seguiu com a Corte Glória Caciqueana completa no palco, deslizando ao som de sambas clássicos da trilha sonora do bloco.

Entre uma atração e outra, o público também pôde visitar o Centro de Memória e se emocionar com a história palpável da instituição. A exposição “Avenidas, Quintais e Afetos” completou um ano, fechando o ciclo inaugural e escrevendo seu nome na trajetória deste sexagenário bloco carnavalesco.

O grupo Caciqueando manteve o ritmo forte para receber Adrianinho Ribeiro, que fez o público vibrar com sucessos de ampla circulação. Foi uma apresentação contagiante, diversificada. Adrianinho tem uma relação próxima com a presidente Karla, filha primogênita de Bira Presidente, e, por conta dessa sintonia, foi ao Espaço Bira Presidente para gravar uma chamada para as redes sociais do artista. Ele teve sua primeira oportunidade musical por meio do saudoso líder e pai da atual dirigente do Cacique e soma mais de três composições em álbuns do Fundo de Quintal.

Quanto mais o tempo passava, mais inebriante se tornava o evento. A sequência se deu com o cantor Marcelo Salut, que, mais uma vez, exibiu toda sua elegância musical. Suas escolhas são sempre bem recebidas pelo público, incluindo composições de João Nogueira, que Marcelo interpreta com maestria. Acompanhado de perto por familiares, nesta apresentação, além do carinho, houve incentivo ao cantor.

Mas, dia de feijoada, é dia de dinâmica e, logo em seguida, foi a vez da estrela Margarete Mendes, simplesmente impactante. Margarete tem a magia do palco. A casa, ainda lotada, entrou em total sintonia com a cantora, que fez até o vice-presidente esboçar alguns passos de dança.

Com muitos aniversariantes presentes na plateia, o salão se dividiu em comemorações distintas, que também animaram os intervalos da roda de samba.

Até o encerramento das atividades deste domingo, cada detalhe, ação e ativação reverenciou, por meio do repertório intelectual e ancestral do Cacique, a data dedicada aos povos originários e a Santo Expedito. Foram encontros, trocas e múltiplas experiências emocionais e artísticas que ampliaram o sentido que une todos em um mesmo bloco: o grêmio recreativo Cacique de Ramos.

Nayra Cezari
ASCOM Cacique de Ramos