Participantes da primeira edição do reality musical da TV Globo se apresentaram no Doce Refúgio pela primeira vez e encantaram o público ao lado de Margarete Mendes e Caciqueando
O dia 12 foi um manifesto de reconhecimento dos talentos e sensibilidades musicais que as mulheres inserem no gênero samba. E, tratando-se do Cacique de Ramos, esta prática remonta aos tempos de fundação até a atualidade, quando o espaço se torna democrático e ativo com a participação feminina em diversos setores da instituição, ainda mais no palco do Doce Refúgio.
Caciqueando no palco, a força de uma batucada cadenciada, assistida pelas energias do lugar, distribuiu harmonia entre sambas clássicos e referenciais deste tempo, que acumula sucessos midiáticos de artistas da nova geração e expressões que notabilizaram o samba autêntico em releituras que justificam a adesão de todas as gerações à cultura da roda de samba.
Nesta edição, apresentaram-se as cantoras Bea, Camille Vitória e Margarete Mendes, consolidando a presença de um repertório decorrente de estudo, técnica e experiência.
Bea foi a primeira a subir ao palco. Cantora e compositora, pertence à nova geração do pagode e imprime sua personalidade com carisma e autenticidade. Ficou conhecida nacionalmente após sua participação no reality Estrelas da Casa, da Globo, e demonstrou no Cacique o motivo pelo qual foi um dos destaques do programa. Componentes do bloco e visitantes aplaudiram e acompanharam sua apresentação, em resposta direta à potência de sua performance.
Na transição para os atos institucionais, o evento contou com a presença da Corte Glória Caciqueana, nesta ocasião representada pela graciosidade da musa Ana Clara, pela rainha do bloco Eliza Cruz e pela 1ª princesa Bella Carrulo.
Entre as convidadas, Camille Vitória foi a segunda a se apresentar. Com 22 anos, demonstra atenção aos tempos e aos espaços artísticos do samba. Cantora, compositora e terapeuta ocupacional, também atua como criadora de conteúdo digital. Sua trajetória na web começou com a música, caminho que a levou ao Estrelas da Casa, experiência que influenciou sua forma de expressão e conexão com o público, aspecto evidenciado em sua apresentação ao lado do Caciqueando no Doce Refúgio. Reconhecida como uma das novas vozes da Baixada Fluminense, foi acolhida pelo público com entusiasmo.
Se o tema são as estrelas, a de primeira grandeza no Cacique de Ramos, na temporada 2025/2026, é Margarete Mendes, que também reverenciou as convidadas com respeito às trajetórias de ambas. Margarete conduziu o público a um estado de entrega, com performance delineada pela linguagem afro-religiosa, assumindo a regência do palco sob a bênção de Bira Presidente, construída ao longo de mais de uma década.
Sustentado com precisão, o ritmo da roda de samba conduziu o público até o encerramento com o Caciqueando, em uma síntese do que representa o Cacique: sua história, sua projeção e sua bandeira.
Nayra CezariASCOM Cacique de Ramos