152ª Feijoada teve domingo pluricultural no Cacique!

152ª Feijoada teve domingo pluricultural no Cacique!

Em dia de final da Copa do Mundo de futebol, o samba e o tempero caciqueanos entraram em campo determinados à vitória da arte que encanta multidões.

Dezenas de sambistas foram ao Doce Refúgio neste domingo, 19. Desde as 13h, a Roda de Samba deu boas-vindas ao público com o grupo Biguá, que permaneceu no palco até as 16h, quando os presentes também puderam começar a acompanhar, pelo telão, a partida entre as seleções da Espanha e da Argentina.

A transição para a atração seguinte foi preenchida com a reverência aos autores do livro “Mora na Filosofia”, resultado do processo formativo de mesmo nome, realizado pela Flup (Feira Literária das Periferias). O livro confirma, em páginas, aquilo que a roda ensina há gerações: o samba também é modo de viver, de compreender a vida pelos acordes, de formar pensamento crítico e transformar experiência em conhecimento. Em mais um lançamento afetivo, agora na sede do bloco e à sombra da sagrada tamarineira, a ação acolheu visitantes interessados e mostrou sua repercussão positiva no solo caciqueano. Ainda da Flup, outro estande promoveu a votação para o prêmio “Na Palma da Mão”, por meio do QR Code disponibilizado na ativação que prestigia um catálogo de rodas de samba do Rio de Janeiro.

Bola rolando em Nova York/Nova Jersey e, no Cacique, outro craque manteve a torcida embalada pelo samba autêntico. Leonardo Bessa, desta vez, se apresentou com sua banda completa. O repertório apresentou uma curadoria inteiramente conduzida pelo próprio artista, que atua simultaneamente como cantor, compositor e produtor musical.

Final do tempo regulamentar e placar em zero a zero entre “hermanos” e “La Fúria”. Já no Cacique, a prorrogação na tela foi ao som do grupo Caciqueando. Olhos atentos em cada lance e vibração total, que abalou a estrutura do Doce Refúgio com a vitória da seleção espanhola. Tudo isso sem perder o compasso.

Juntos, caravaneiros, componentes das Alas Reunidas e a Diretoria de Ouro investiram na alegria, como se fosse a equipe brasileira a levantar a taça. Emoção genuína, compartilhada e reconhecida.

Mas artilheiro no Cacique é o samba. O Caciqueando deu o passe certeiro para receber o pavilhão do bloco, conduzido pela porta-estandarte Joana D’Arc. As princesas mirins da Corte Curumim, em trajes de festa caipira, foram encantadoras, tanto na produção quanto na apresentação. Explosão de fofura!

Convocada para brilhar, a Corte Glória Caciqueana trouxe, no macramê de seu figurino, a referência às tramas de uma rede onde cada nó é pensado para segurar, conter e marcar o momento do gol. Neste caso, o time campeão foi a nobreza caciqueana, composta por Eliza Cruz e Cássia Anastácia, além de Kayza Regina, Bella Carrulo, Laila Avlis, Milena Gonçalves, Laryssa Maia, Ana Coelho e Bruno Barão. Rainhas, princesas, musas e o Índio Caciqueano esbanjaram talento, transformando o Doce Refúgio em um estádio de bambas sob o gramado da arte da dança.

A sequência deu lugar a uma “estrela de Madureira”, Alex Ribeiro, que encontrou nesta apresentação a oportunidade de homenagear seu saudoso pai, o lendário Roberto Ribeiro, que completaria 86 anos na segunda-feira, 20 de julho, subsequente à 152ª Feijoada. Eternizado como ícone do Império Serrano, deixou ao filho, também artista, o legado e o talento.

Clássicos absolutos na voz de Roberto Ribeiro foram cantados por Alex e registrados pela equipe Dob Fotos e Vídeos para um audiovisual que será publicado no canal oficial do Cacique de Ramos, no YouTube, como: “Acreditar” (Dona Ivone Lara / Délcio Carvalho); “Todo Menino É Um Rei” (Jorge Aragão / Almir Guineto / Luiz Carlos); e “Estrela de Madureira” (Acyr Pimentel / Cardoso). Com a participação especial da dupla Milena Gonçalves e Bruno Barão, Alex Ribeiro entoou “Lenda das Sereias, Rainhas do Mar” (Império Serrano, 1976) e “Aquarela Brasileira”, um dos sambas-enredo mais famosos da história do Carnaval carioca, composto por Silas de Oliveira para o Império Serrano, em 1964.

A presença de Alex Ribeiro despertou também o laço que une a família de Bira Presidente ao convidado, principalmente às filhas dirigentes do bloco. Seus pais, contemporâneos na trajetória artística, conferiram suas patentes como herança e missão a ambos. Karla Presidente e Cristhian Kelly posaram ao lado de Alex, dos demais diretores e do vice-presidente Márcio Nascimento. Outro momento para se guardar na memória, tanto pelo simbolismo quanto pela força.

A programação musical esperava por outro “jogador caro” do samba. Dom de poesia em João Martins é feito tatuagem: marca a pele e a vida daqueles que acessam suas composições. Obras que conversam com o cotidiano, com a ancestralidade, com a roda de samba, com o terreiro, e que são cantadas no país inteiro.

João Martins, o 01 do Diploma Prata da Casa do Cacique de Ramos, chegou e o povo não resistiu a “Pretas, Brancas e Morenas” (Juninho Thybau, PH Mocidade, Luciano Bom Cabelo e João Martins), com Sombrinha; “Lendas da Mata”, com Raul DiCaprio; “Amor Calmo”; e muito mais. Foi um sucesso atrás do outro. É goleada que chama, não é?

No Espaço Bira Presidente, o cantor e compositor confraternizou com a Diretoria de Ouro nesse reencontro.

O Mundial acabou, mas a vitória do Cacique foi celebrada na voz de Margarete Mendes. Unanimidade entre os sambistas que frequentam a Roda de Samba, ela usou sem moderação sua arte. É troféu, medalha e título; Margarete é a taça, cheia, transbordante de axé.