151ª edição da Feijoada do Cacique de Ramos reverenciou o primeiro ano da despedida de Bira Presidente

151ª edição da Feijoada do Cacique de Ramos reverenciou o primeiro ano da despedida de Bira Presidente

Com caravanas, convidados e homenagens a Bira Presidente, evento traduziu a força afetiva e musical da Tribo do Samba

Cento e cinquenta e uma edições fazem de um dos eventos mais importantes para a Tribo do Samba algo bem mais que tradicional pelo tempo de existência. No domingo, 21 de junho de 2026, o dia de feijoada promoveu, no Doce Refúgio, um intercâmbio de saberes, sabores e vivências entre sambistas de diversas regiões do país, alinhados pela naturalidade da música que entrelaçou histórias.

A data, que marcou o solstício de junho, teve caravanas chegando antes mesmo do horário marcado para o início do evento. Às 13h, a roda de samba começou com Batuque Bom e O Batuque Saiu da Cozinha.

Em suas estreias no Doce Refúgio, os grupos ganharam o coração do público, somando qualidade, emoção e conquista de espaço.

Na transição, o vice-presidente Márcio Nascimento aproveitou para falar sobre o lançamento do livro Mora na Filosofia. O anúncio foi feito em companhia de uma das autoras, Ana Marinho, que assina o texto “Samba no maior astral”, produzido a partir da música “Isso é Fundo de Quintal”, de Leci Brandão.

De volta ao palco do Cacique de Ramos, a cantora Ju Black vestiu vermelho para sinalizar que a apresentação deste dia seria especial. Após a grande reverberação da campanha de divulgação do evento, incluindo inserções em telejornais da Rede Globo, a cantora de São José dos Campos e sua Banda Puro Balanço entregaram um espetáculo.

Do repertório escolhido à interação com o público, passando pela recepção à Corte Curumim, Ju Black apresentou releituras de arranjos clássicos e passeou entre obras importantes de compositores e artistas do samba. Ao terminar a apresentação, dedicou-a a Bira Presidente, neste primeiro ano de saudade do Cacique Maior. O fã-clube da cantora correspondeu e fez de sua atuação um verdadeiro show.

No intervalo, o vice-presidente Márcio Nascimento subiu ao palco mais uma vez, agora com alguns membros da diretoria, para acompanhar o convite de Fábio Feliciano e Carlos Jr. – o Professor, vice-presidente e presidente de honra do Santuário de Sr. Zé Pelintra, respectivamente. No convite, foi anunciado que o Cacique de Ramos receberá uma homenagem no dia 07 de julho, na Lapa, Centro do Rio de Janeiro.

Outra visita imponente foi a galeria da Velha-Guarda da Independente de Olaria, que posou para fotos e aproveitou a tarde de samba e feijoada no Doce Refúgio.

Com a roda de samba de volta, a prata da casa, o Caciqueando, recebeu o desfile da porta-estandarte Joana D’Arc e, depois, o bailado da Corte Glória Caciqueana. Na sequência, o solo do grupo preencheu a quadra.

Logo após, a Corte, a diretoria e componentes da ala Eu Sou Cacique promoveram o chá de bebê para Bernardo e sua mãe, a Musa de Ouro do bloco, Amanda Prestes, em uma surpresa que a deixou emocionada e agradecida pelo carinho e pela amizade de todos.

No palco, ao Caciqueando também coube acompanhar outros convidados do evento. O cantor e ator Alan Rocha trouxe toda a experiência dos palcos em que atua, mostrando a realeza de sua arte e um repertório eloquente, valorizando composições lidas como “lado B”, que marcam a trajetória poética do samba autêntico.

Sobretudo, a sequência que faz parte de Martinho, Coração de Rei — O Musical celebra a história do samba e a trajetória de um dos maiores sambistas do Brasil: Martinho da Vila. Sua apresentação acrescentou originalidade ao evento que transpira tradição. Lindo de ver, ouvir e cantar.

O cantor Kaleo Bittencourt percorreu o mesmo traçado riscado por Alan e, entre outros bambas, relembrou Bezerra da Silva com “Malandro é malandro, mané é mané”. O povo cantou junto e retribuiu com animação.

Última da escalação a se apresentar, a multiartista Margarete Mendes, como sempre, trouxe a força da ancestralidade e, depois, sambas com mensagens claras de saudade e gratidão a Bira Presidente. Comovente e inebriante, a diva envolveu a plateia em sua dinâmica artística. O resultado não poderia ser outro, senão os aplausos e a interação constante.

Em uma noite de boas surpresas, na área reservada à comandante do bloco, Karla Presidente confraternizou com amigos, familiares e a Diretoria de Ouro. No Espaço Bira Presidente, junto à sua irmã, a diretora-geral Cristhian Kelly, recebeu artistas e convidados que foram prestigiar o evento.

No primeiro ano de sua despedida, Bira Presidente foi reverenciado pelo nome que deixou na história, pela obra que segue por meio do amor da família caciqueana, dos fãs que acompanharam sua carreira, pelo legado deixado como herança às filhas e por ser o próprio Cacique. Nas feijoadas, rodas e conversas, lembraram seus gestos, sorrisos e falas. Sim, lembraram. Mas nada poderá substituir sua genialidade.

E nada como uma linda festa para exaltar o maior de todos os caciqueanos. Nada como a emoção de sua família para representar e agradecer, com veracidade, sua existência. A memória que alimenta o Doce Refúgio também foi servida no prato da feijoada, saboreada pelos sambistas em uma tarde/noite de samba, afeto e gratidão a Bira Presidente.

Nayra Cezari
ASCOM Cacique de Ramos